quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Eu havia feito um texto todo legalzinho pro Natal, mas eu acabei o perdendo, e só fui achar hoje... Talvez eu poste depois, afinal, o Natal não deveria ser uma época, deveria ser um estado de espírito, concorda?

Feliz Natal mais que atrasado.

Abraço

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma história de amor.

Ali, ao som das ondas espancando as pedras, ele chorava. Gritava. Não, não havia som. Se houvesse ele nunca saberia. Sua cabeça doía demais para prestar atenção em qualquer coisa que não fosse sua própria dor.
Um relâmpago de lembranças veio a sua mente, e agora, como se pudesse voltar no tempo, ele se encontrava num bar, onde tinha visto aquela morena de sorriso bonito e tinha lhe falado algumas frases em um francês romântico e sussurrado. Agora, como se uma ventania o levasse pra outro tempo e espaço, ele se encontrava numa cama, ela sobe ele. Prazer. Pele com pele. Suor com suor. Ele a sentia em seu íntimo. Um último gemido em uníssono. Ela olha pra ele com um olhar apaixonado e o propõe o eterno.
O casamento. Ele nunca havia visto tão belo ser em toda a sua existência. Ela vinha com olhos marejados e aquele mesmo sorriso que ele havia se apaixonado no rosto. "Eu me apaixono a cada vez que a olho", pensou ele, mas não externou seu pensamento, ele deveria o ter feito. A ventania o levou de novo.
Ele estava na sala. Aquela espera era infinita. A parteira veio, "O senhor pode ir vê-los". Ele entrou no quarto, ela repousava na cama, cochilando. A criança estava no moisés na cabeceira da cama. Ele foi até ela e deu-lhe um beijo na testa, sentiu o gosto salgado do suor, e riu pela situação. "Não olha pra mim, to me sentindo uma vaca suja e gorda". Ele tornou a rir da frase espirituosa. Olhou para o pequeno embrulho repousado no moisés. "Ele e o joelhinho mais lindo do mundo", disse. "Joelho é o cacete".
De volta à pirambeira à beira do mar, ele sentiu suas costas doendo. Começava a chover. Nem o sol tinha força de espírito para se mostrar em tão fúnebre dia. Ele olhou a pedra ao lado, contemplando seus nomes nela escritos, um sinal de eternidade. "Até que a morte nos separe"...
Buscou uma razão, uma razão para o que tinha acontecido. Não encontrou. A única coisa que conseguia pensar com nitidez era o que alegrava. Ele pensava na imagem de um garotinho moreno, com os mesmos olhos de jabuticaba da mãe. Aquele era o presente que havia deixado.
Aqueles pezinhos gordos, aquele "upa" apertado, aquele sorrisinho desdentado. Aquela sim era uma razão para viver.
Ele olhou para o céu, enxugou suas lágrimas, levantou e se encaminhou para o carro. Mudança de planos. Num impulso ele se virou para o abismo, pegou impulso e se jogou. "Je peux voler".

sábado, 20 de novembro de 2010

Carma

Duas frases:

"Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho"

"Ao fim do espatáculo, o palhaço chora sozinho"

E esse é o preço que se paga por ser uma pessoa considerada "forte".

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

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Ela estava magnífica naquele vestido preto, à porta do prédio. Já haviam se passado 30 minutos desde que seu noivo havia lhe dito que "tava chegando", e ela desde então ali esperava. Eles iriam a um baile para comemorar seus 6 anos juntos. Começavam a cair os primeiros pingos da chuva que havia sido prometida pela garota do tempo.
"Só me faltava essa", pensou ela. A porta do edifício se abriu. Era a sua mãe, com certo espanto
estampado na cara.
-O Lauro sofreu um acidente.
-O quê?
-É isso mesmo minha filha -consolou-a a mãe -Eu sei que é difícil, era pra ser uma noite de comemoração pra voc...
-E quem disse que não é?
E num ato de certa insanidade, como se nada houvesse acontecido, ela se encaminhou para o meio da rua, onde começou a dançar, ao som de Kiss Me. O som vinha de sua própria cabeça, porém era como se todos ali em volta pudessem ouvir também. Ela ria. Gargalhava. A sensação da chuva a afagar-lha a face lhe agradava.
-Vem mãe! Vem comemorar a chuva.
A mãe não estava entendo nada daquilo que a filha estava fazendo. Você provavelmente também não está. E, pra ser sincero, muito menos eu.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pour tout la vie.

Ela estava ali por não saber lugar melhor para estar. Depois de 27 anos de tristeza e vida difícil, ela finalmente tinha um motivo para comemorar. Depois que havia perdido a mãe e depois de ter descoberto que o sumiço de seu pai se baseava na causa de ele ter morrido havia 3 meses, ela dedicou sua vida ao estudo, ao seu sucesso profissional. Com a ajuda de um ex-namorado, que ainda a reservava uma paixão indesejada, ela juntou algum dinheiro e partiu com a cara e a coragem para aquele país de sonhos. Lá ela conseguiu um emprego numa grife e naquele dia soube que seria promovida ao escalão de estilistas. Esse era o motivo para comemoração.
Ele estava ali por sempre ter sido uma pessoa solitária. Aquele tipo de rapaz que sempre foi introspectivo e, por isso, misterioso. Ele a olhava.
Não era pra menos. Aquela jovem brasileira fazia qualquer gringo sonhar com sua companhia. Morena, olhos de jabuticaba, sorriso bonito, corpo sedutor, cabelos ondulados. Ela percebia quando olhos se fixavam nela e mostrava certa indiferença. Mas não daquela vez, aqueles olhos a devoravam de forma que ela não conseguia disfarçar sua percepção e se deixava dar não tão discretas olhadelas ao rapaz, que também não deixava de ser atraente.
Ele era do tipo de rapaz que se imagina daqui a vinte anos com uma toalha enrolada no quadril, um martini na mão e uma loura na cama. Ar intelectual e beleza mediana. Nunca naqueles 2 meses que ela se encontrava naquele país, alguém havia atraido de tal forma.
Ele se levantou. Foi em direção a ela sem ao menos disfarçar chegou ao seu ouvido e sussurrou:
-Je te regarde, et j'ai conclu que vous êtes l'une des plus belles choses que j'ai jamais vu.
Ela sentiu um arrepio lhe subir pela coluna e com um risinho no rosto respondeu que já havia percebido. E em seguida, ele disse:
-Que puis-je faire pour continuer à vous regarder?
-Jusqu'à quand?
-Pour tout la vie.
Ali começava um romance digno de melodrama de Shakespeare.
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PS: Para melhor compreensão do diálogo: http://translate.google.com.br/#frpt

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sábia menina

E foi num de seus momentos de lucidez que D. Lúcia disse à sua neta:

-Sabe, menina, eu não sei mais quem é meu filho, eu não sei mais como eu sou, eu não faço mais nada sozinha... Pra que que serve a vida então, se nós nos esquecemos de tudo no final?

A neta, sabida pra sua idade vira pra sua avó com um sorrizo estampado na cara e toda a simplicidade do mundo e responde:

-A vida é feita pra viver vovó, e acima de tudo, pra ser feliz.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

World ain't so bad at all (Parte 3 - Maybe it is)

Em algum lugar, talvez muito perto, talvez muito longe de mim ou de você, leitor, existe uma garotinha. Ela tem 9 anos. Ela sempre foi uma boa aluna, as professoras sempre gostaram muito delas. Certo dia, em momento de descontração, ela conversava com a professora depois da aula:
-Tia, eu faço coisa de gente grande.
-O que minha filha, você beija na boca?
-Não, tia, eu to falando de coisa de gente grande!
-O quê que você já faz?!- pergunta a professora já apavorada.
-Ah, a senhora sabe...
Um choro de pavor veio à garganta da professora.
-Mas você faz isso com quem?
-Ah, com meu irmão mais velho.
-Meu Deus! - a professora leva as mãos à boca - S-s-só com ele?
-É, mas às vezes, o meu primo Braian me pede, aí eu fico de quatro e el...
-Chega. - a professora estava nauseada - Seus pais sabem disso?!
-Só mamãe. Se papai ficar sabendo, ele briga.
A professora saiu da sala aterrorizada. Foi até a secretaria e de lá ligou para o Conselho Tutelar.
Uma semana depois, a psicóloga do conselho estava no mesmo lugar da professora, conversando com a menina.
-Você sabe que seus pais não têm te feito bem, não sabe, minha linda?
-Eu sei, a mamãe de vez em quando me bate, eu de vez em quando tenho que fazer "aqueles negócio" com meu irmão sem eu querer...
-Nós vamos ter que tirar você de perto deles.
-Não! - assustou a menina.
-Por que não, meu amor? Eles tão te maltratando...
-Mas um dia eles vão parar!
-Não vão parar, minha linda. Eles não vão mudar.
-E se eles "mudar"?! - a menina já estava assustada.
-Você não pode ter mais esperanças quanto a isso, meu anjo. Não tem mais motivos pra ter esperança.
-Claro que tem! A tia me disse que a esperança é a última que morre...
-No seu caso, meu anjo, ela não morreu. Mataram ela.
-Se mataram, então por que que eu não posso desculpar eles?
A menina, perplexa começa a chorar.
-Eu ainda amo eles!
Ela realmente amava.
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PS.: Infelizmente, o diálogo entre a menina e a professora é baseado em fatos reais.